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Estudantes da Universidade de São Paulo se manifestam em defesa de Bogdan Syrotiuk

O Grupo Socialista pela Igualdade brasileiro (GSI) distribuiu, na semana passada, um panfleto em várias unidades da Universidade de São Paulo (USP) exigindo a libertação imediata de Bogdan Syrotiuk, líder de 27 anos da Jovem Guarda dos Bolcheviques-Leninistas (JGBL), condenado na Ucrânia a 15 anos de prisão por se opor à guerra.

Panfleto do Grupo Socialista pela Igualdade (GSI) afixado na Universidade de São Paulo.

A campanha chegou aos estudantes da USP semanas após o fim de uma greve de 54 dias – um dos maiores movimentos da história do ensino superior brasileiro –, que foi respondida com brutal violência policial ordenada pelo governo estadual de extrema-direita de Tarcísio de Freitas, além de legislação punitiva e sórdidos atos de provocação por parte de políticos fascistoides.

A equipe do GSI explicou aos estudantes da USP os fatos e o significado político do caso de Bogdan e fez campanha por seu apoio à luta internacional por sua libertação. Desde sua condenação por um tribunal ucraniano em 10 de agosto, mais de 1.000 pessoas em 58 países e territórios assinaram a petição pela libertação de Syrotiuk, enquanto conteúdos nas redes sociais que relatam e protestam contra o caso já somam dezenas de milhares de visualizações, curtidas e compartilhamentos. Essa onda crescente de apoio público contrasta com o silêncio calculado da grande imprensa nos Estados Unidos e na Europa, que também prevalece na mídia brasileira.

A campanha teve uma resposta calorosa dos estudantes. Membros do GSI também conversaram com representantes dos centros acadêmicos das faculdades de Arquitetura, Geografia e Ciências Sociais, que responderam positivamente e disseram que levariam o caso para discussão entre as gestões. À frente dessas entidades estão organizações como o Juntos! – a juventude do Movimento Esquerda Socialista (MES), corrente morenista do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – e a União da Juventude Comunista (UJC) – a juventude do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Nem o PSOL, nem o PCB, nem qualquer outra organização autodeclarada de esquerda no Brasil noticiou o caso de Bogdan ou tomou posição em sua defesa. Esse silêncio contrasta com a concordância e o interesse manifestados pelos estudantes na base.

Estudantes da USP denunciam a perseguição a Bogdan e o regime de Zelensky apoiado pela OTAN

Marco Antônio, estudante de Geografia da USP, contou à equipe do WSWS que tem ex-colegas e contatos vivendo na Ucrânia que contradizem a narrativa oficial sobre a situação no país. “A mídia ocidental – norte-americana e europeia – vem tratando o Zelensky como um grande líder, um símbolo de resistência por parte da Ucrânia, mas isso acaba sendo uma grande farsa internamente”, disse ele. “A população está insatisfeita com as decisões do Zelensky... [e com os] vários problemas sociais e econômicos, que já vinham decorrendo antes mesmo da guerra, no pós-eventos da Crimeia”.

Sobre a própria condenação de Bogdan, Marco afirmou: “Zelensky é um ex-comediante, que se diz a favor da liberdade de expressão, mas na verdade é bem seletivo. A questão do Bogdan é hipócrita e triste. Ele vinha fazendo uma revisão histórica muito importante dentro da Ucrânia, denunciando a divisão Galícia, que foi financiada por nazistas e caçou judeus por toda a Ucrânia, e que é pouco comentada pelo Ocidente”.

“É importante que as pessoas vejam a questão do Syrotiuk porque não é só um caso de exceção”, continuou Marco. “São muitos casos pouquíssimo relatados de ucranianos sofrendo com a repressão do próprio governo. A população está cada vez mais exausta e, como falei, há grandes atritos contra o Zelensky porque era uma guerra que poderia ter sido evitada”.

Gabriel, também estudante de Geografia, foi direto ao conteúdo político das acusações. “Temos que ver o que ele está dizendo, porque é tão importante quanto ele mesmo”, disse sobre Syrotiuk.

Sobre o caráter do regime ucraniano chefiado por Zelensky, Gabriel explicou: “Já declarou estado de sítio, já não tem eleição... Hoje em dia se prende para levar para a guerra, para sumir com a pessoa, para censurar a pessoa”. E acrescentou: “Ele [Zelensky] tem feito uma política muito parecida com o que eles acusam Putin de fazer”.

Gabriel situou a guerra nas operações das potências imperialistas por trás de Kiev. “Eu tenho uma visão de que a Ucrânia, e vou falar de Israel também, trabalham para a OTAN de forma ilegal”, disse ele. “Então eu não sei se a Ucrânia ou Israel são o problema maior. Eu acredito que o problema seja mesmo a OTAN. Enquanto a Ucrânia estiver na mão deles, ela vai agir como um fascismo”.

A mensagem de Bogdan de 2023 aos trabalhadores e à juventude do Brasil

O panfleto distribuído pelo GSI estabelece a ligação direta entre a perseguição na Ucrânia e as experiências políticas dos trabalhadores e jovens no Brasil – uma ligação que o próprio processo movido pela promotoria ucraniana reconhece indiretamente.

Em março de 2023, a Juventude e Estudantes Internacionais pela Igualdade Social (JEIIS) organizou, no prédio de História e Geografia da USP, o evento “A guerra na Ucrânia e como detê-la”. A Jovem Guarda dos Bolcheviques-Leninistas enviou uma saudação a esse evento. Esse documento foi apreendido na prisão de Bogdan, consta como prova de seu “crime”, e o Estado ucraniano ordenou que seja destruído.

O que dizia essa mensagem, escrita por Bogdan e seus companheiros e endereçada aos estudantes e trabalhadores reunidos na USP?

Ela afirmava que nem o governo de Putin nem o de Zelensky representam os trabalhadores russos ou ucranianos – ambos defendem o sistema capitalista e os interesses de suas respectivas oligarquias – e que só a unidade internacional da classe trabalhadora contra a guerra e o imperialismo pode oferecer uma saída, e não o nacionalismo burguês de qualquer um dos lados. Dirigindo-se diretamente ao Brasil, o documento declarava: “Os trabalhadores e a juventude do Brasil devem de uma vez por todas” romper com as ilusões sobre o governo Lula – que, alertava o texto já em 2023, se apoiava na contenção da luta de classes e na busca dos interesses da oligarquia capitalista brasileira, dando cobertura à extrema-direita em vez de enfrentar a ameaça de um golpe bolsonarista.

O panfleto do GSI distribuído aos estudantes da USP na semana passada concluía:

Foi por escrever isso – por afirmar a irmandade entre trabalhadores russos, ucranianos e brasileiros contra a guerra e a ditadura – que Bogdan Syrotiuk está sendo condenado.

Isso faz do público brasileiro e da comunidade da USP não espectadores distantes desse caso, mas parte diretamente afetada. A criminalização do pensamento na Ucrânia é um ensaio geral do que os governos capitalistas de todos os países – o brasileiro incluído – reservam a quem ouse levantar a voz contra a guerra e o fascismo e em defesa do socialismo.

Da guerra na Ucrânia à militarização do Brasil e da América Latina

Em uma seção intitulada “Da guerra na Ucrânia à militarização do Brasil e da América Latina”, o panfleto do GSI destacava que os acontecimentos recentes confirmaram poderosamente o alerta feito pela JGBL em 2023:

Desde então, a guerra e a escalada ditatorial que aquele documento denunciava se aprofundaram radicalmente na América Latina. Em janeiro de 2026, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e sequestraram seu presidente; Cuba está hoje sob um cerco econômico e militar sem precedentes; e operações militares dos EUA se multiplicam por todo o continente sob a justificativa fraudulenta de uma ‘guerra ao narcoterrorismo’. Nossa região já se tornou efetivamente palco da mesma guerra imperialista mundial em nome da qual Bogdan Syrotiuk está sendo perseguido.

No próprio Brasil, o governo Trump intervém abertamente nas eleições presidenciais de 2026 – por meio de tarifas comerciais usadas como arma política, da promoção da candidatura de Flávio Bolsonaro e de crescentes ameaças. O governo Lula, por sua vez, responde a essa ofensiva voltando-se não aos trabalhadores na América Latina e nos próprios Estados Unidos, que rejeitam massivamente a guerra, mas com uma resposta nacionalista e militarista própria, promovendo o rearmamento em nome da “soberania nacional”.

Os advogados de Bogdan têm até 9 de setembro para apresentar recurso. Uma queixa protocolada em seu nome na primavera de 2025 ainda aguarda decisão no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Conclamamos trabalhadores e jovens, centros acadêmicos, organizações de esquerda e progressistas, sindicatos, intelectuais, jornalistas, artistas e todos os defensores dos direitos democráticos no Brasil a assumirem a exigência da libertação incondicional de Bogdan e do fim dessa armação política. Some sua voz à campanha!

A petição está disponível em wsws.org/freebogdan. Envie cartas ao Tribunal Distrital da Cidade de Pervomaisk (inbox@pm.mk.court.gov.ua) e ao Tribunal de Apelação de Mykolaiv (inbox@mka.court.gov.ua), com cópia para freebogdan@wsws.org, exigindo a anulação da sentença de 15 anos e a libertação de Bogdan.

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